O Telhado de Vidro
No emaranhado de emoções a que somos sucumbidos, a vida é como o vidro: pode se quebrar.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
O Telhado de Vidro: Eu acredito nesta causa!
O Telhado de Vidro: Eu acredito nesta causa!: "Trata-se de uma proposta muito interessante, por isto estou dando um voto de confiança ao projeto da Pritt. Vamos ver se realmente, vai da..."
Eu acredito nesta causa!
Trata-se de uma proposta muito interessante, por isto estou dando um voto de confiança ao projeto da Pritt.
Vamos ver se realmente, vai dar samba...
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
O pau do berço

Trabalhava fora fazendo faxina.
Tinha dois filhos: uma menina de quatro anos e um bebê de oito meses.
Era uma lutadora e amava os filhos acima de tudo.
Engravidou "virgem".
Casou as pressas.
Não deu tempo de saber quem era Joaquim, até que duas semanas depois do casamento veio a primeira bebedeira e a primeira surra.
Prá família ela vivia caindo e se machucando.
Como em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher, os "outros" fingiam que acreditavam.
"Como Rosa é desastrada!" - diziam com malícia.
E ela sofria calada esperando a próxima bebedeira e como consequência o espancamento.
Até que um dia, resolveu que seria a última vez a levar uns tabefes.
Joaquim chegou embriagado.
Começou a gritar e veio com gana para cima da mulher.
Rosa, não esperou o primeiro tapa, agarrou-se com força nos paus da armação do berço, que de grande fragilidade se desprenderam em sua mãos.
Como um domador de feras, empunhou o pau de berço na direção de seu agressor e bradou: "Vem, que agora eu te arrebento!"
Joaquim riu deboxado: "Onde, que vou apanhar de mulher? - O dia que isto acontecer eu visto saia e saio para a rua!"
Ela com a raiva cortando a garganta gritou: "Aqui. Hoje. Se você chegar perto de mim, te racho com este pau. E pode pegar a saia no meu guarda-roupa, porque hoje te visto de mulher!"
E Joaquim avançou diante de Rosa que deferiu o primeiro golpe na cabeça.
Abriu-lhe a fronte, ele sangrava.
Novamente, tentou agredir a mulher. E ela lhe deferiu outro golpe, e mais um, e outro, e lavou a sua alma.
Ofegante, cansada e ensanguentada, Rosa cambaleou contra a parede e soltou o pau do berço.
Por um minuto fitou o marido desacordado.
Sorriu.
Foi até o armário, pegou sua saia xadrez e jogou em cima do marido.
Este foi o último dia que Rosa caiu.
Joaquim nunca foi visto travestido de mulher, mas continuou a beber.
E um dia, devaneando em sua bebedeira enxergou os olhos de Rosa nos faróis de um ônibus.
Morreu atropelado.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
O Pai

O ano era de 1953.
Era outuno e a temperatura agradável.
Joana voltava do centro de São Paulo com sua mãe,Laura.
Haviam ido comprar sapatos na rua Direita.
A paisagem e o movimento da cidade intrigavam os pensamentos da menina. A cidade que mais cresce no mundo.
De fato São Paulo era assim.
Tomada então pelo comércio de rua, as banquinhas que o prefeito Jânio queria eliminar, eram uma festa convidativa aos olhos.
Ela tinha 5 anos e um desejo: uma suculenta maçã.
Laura, uma mulher de pouca idade, já contava na gravidez do quarto filho, olhar lambido e cansado, pensava em toda a rotina da casa que estava por vir.
Pensava na janta, na louça e na roupa do marido que teria que passar para mais um dia de trabalho num dado departamento do Banco do Estado.
Sua vida se resumia a vida do marido e dos filhos, nesta exata ordem.
Quando lhe "sobrava" um tempo foleava a revista "O Cruzeiro" ou lia poesia.
O seu maior prazer já não lhe era possível: tocar piano.
Não tinha mais o instrumento. Sentia os dedos correndo as teclas e os acórdes ecoando em seus ouvidos... Ela apenas sentia e deixou-se guiar pelas sensações.
Até que teve seu momento furtado pela pergunta incabida da filha: "Mamãe: quem é meu pai?".
O bonde estava lotado.
Sua face fervilhava e a sentiu enrubescer.
Num ato de puro reflexo e não de reflexão, indagou a filha com violência: "Como quem é teu pai, Joana?".
Os olhos saltavam...
"Mamãe: meu pai é o tio Júlio?"
Outra vez, ela sentiu o sangue brotando a face, seus pulsos se cerraram sobre o colo, comprimindo a bolsa.
"Menina você não sabe quem é teu pai?" Falou por entre os dentes.
Mas a menina ainda incredúla, voltou a perguntar: "Já sei mamãe! Deve ser o Sr. Bartolomeu, já que ele vai a nossa casa todos os dias e leva compras. É ele né mamãe?
Laura consternada, entre os olhares lascivos e inquisidores dos úsuarios do bonde, perdeu a compostura e gritou com a menina: "SEU PAI, É AQUELE HOMEM QUE CASOU COMIGO PERANTE OS OLHOS DE DEUS, CHAMA-SE ANTÔNIO NOGUEIRA, E TODOS OS DIAS AO CHEGAR EM CASA LHE DÁ UM BEIJO NA TESTA E LHE CHAMA DE MEU BEM! SIM, MINHA FILHA O SEU PAI É O SENHOR ANTÔNIO NOGUEIRA! O SEU BARTOLOMEU É O MASCATE DE NOSSO BAIRRO E O TIO JÚLIO, MEU IRMÃO!"
Depois de alguns segundos de um tenso silêncio, a menina novamente indaga a mãe: "Mamãe, acho que eu descobri, meu pai é aquele homem ali!"
E apontou o dedinho gorducho para o condutor do bonde.
A fúria se transformou em alívio: tinham chegado a seu destino.
Desceram naquela parada
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